sábado, 29 de junho de 2013
A COLINA
A COLINA
Pega a colina os primeiros raios do sol
da manhã dourada - Mal acabara a
alvorada - os pássaros em revoada,
tangenciavam a boca do túnel.
Não há mais trem - sequer me lembrava
que do outro lado fica canabrava.
A silhueta dos morros por pouco não tocam
o céu da minha terra - Uma lembrança nostálgica
me trás a infância, longínqua como a minha espera
de uma dia voltar ao meu ninho de onde ainda
pequenino levantei voo e busquei caminhos!
Oh! Céu azul de azul celeste a tua abóboda
me veste!
Não vi o jardim, mas vi seus ciprestes - meu sítio preferido,
ai de mim! Que saudade...Quando a gente cresce!
JOSE ANTONIO DA SILVA - Cabo Frio - 21/08/2012.
quarta-feira, 8 de maio de 2013
SEM PRECONCEITO
SEM PRECONCEITO
Em primeiro lugar confesso que sou completamente ignorante sobre o tema do qual pretendo discorrer em poucas palavras. Trata-se de tema complexo e polêmico, cujo o fundamento do meu discurso é o senso comum. Como se sabe o senso comum não é fundamento para nada, mas como sou um simples mortal tenho o direito de raciocinar à sua luz, neste caso, como se pode vê, o meu compromisso com a verdade é zero.
Desde que me entendo por gente ouço falar da homossexualidade, não assim neste termo vernáculo, mas por meio das mais variadas comparações, analogias e gírias como as que seguem, viadagem, boiolagem, frescura, bicharada, maricagem etc. Atualmente penso que a homossexualidade está à flor da pele das pessoas que a cada dia se declaram homossexuais. Acho que rola um etos cotidiano. O que mais me chama atenção é que tais declarações partem dos diversos segmentos da sociedade de modo que já tem padre excomungado por aceitar esta condição como normal.
As declarações tem partido de homens e mulheres casados e pais de filhos que antes tiveram uma relação considerada normal por serem heterossexuais. Penso que a sociedade tem o hábito de considerar normal o padrão mais frequente, padrão que à luz do meu fundamento é o heterossexual(senso comum). Imagino que o etos social vigente neste momento está levando a uma abertura total e irrestrita para que a homossexualidade seja vista como condição humana normal na tentativa de se passar do preconceito para uma definição conceitual propriamente dita, deixando de lado quaisquer manifestações científicas a respeito (senso comum).
Temo que se hoje conseguíssemos uma estatística severa sobre a sexualidade das pessoas, iríamos encontrar "um meio a meio" ou quem sabe "um mais pra lá que pra cá!" E aí que faríamos? Certamente estaríamos diante de uma inversão de valores que abrangeria tanto os preconceitos sociais quanto os científicos . Por um lado os heterossexuais passariam à condição de preconceituados enquanto os homossexuais é quem seriam os preconceituosos. Mas mesmo assim o impasse continuaria porquê a ciência continuaria incompetente para definir um conceito até o presente momento. Imagino quão incômodo seria ser gozado por ser heterossexual! Mas pisando um pouco na maionese até que ponto seria a procriação afetada? Provavelmente não haveria afecção porque mesmo se a inversão for verdadeira já somos mais de sete bilhões de seres perdidos e moralmente decaídos de quem até Deus tem dúvidas do que fazer!
O fato é que diante desta revolução da sexualidade esqueceram dos atributos biológicos do binômio macho/fêmea, portanto, cada um tem que se cuidar porque sua hora pode está próxima e se estiver, e acontecer a virada acho pouco provável uma revisão de conceitos, logo prepare-se, a possibilidade é iminente, de modo que você pode ser o próximo(a), principalmente se o homossexual for uma variante da espécie!
Por José Antonio da silva - Cabo Frio - 07/05/2013.
DEPOIS A LEVEZA
DEPOIS A LEVEZA
Silêncio, peitos colados, corações arfantes,
em meu íctus com seu ouvido colado, ouve
meu coração palpitante sob a lei do tudo
ou nada!
Silêncio, levemente respirando, pensamos - tudo
é por amor! Tanto tempo, quanto amor!
nem o tempo acabou.
Flutuamos,
pensamos em tantos ressentimentos,
em tudo de bom,
algo de nostálgico vêm à mente, mas,
logo se dissipa, pra que pensar?
Flutuamos,
Com o peito arfante buscamos fundo o ar,
é preciso respirar e sonhar- Pensar que houve
ontem é inócuo, que há hoje é real - se amanhã
haverá é incerto!
É inútil pensar no que não há.
Que farei amanhã? o amanhã haverá?
quem sabe não está entre nós, mas,
certamente saberá.
O amor vulgar é o que fazemos, aliviamos nossos
corpos e o resto jogamos no ar!
A pena é conta pra alma.
José Antonio da Silva - Cabo Frio -06/05/2013.
domingo, 10 de março de 2013
WOODY ALLEN
Não quero alcançar a imortalidade com o meu trabalho. Quero alcançar a imortalidade não morrendo.
SOCRATES
Os médicos são mal sucedidos tratando a maior parte das moléstias, é que tratam do corpo sem tratarem da alma!
A VOZ DO INTERIOR - A LEI 8080
No início a saúde não foi pensada como um direito do povo, mas antes como um seguro vinculado ao trabalho, logo, foi pensada como assistência médica nascendo vinculada a Previdência Social. Neste momento o Estado Brasileiro fez sua primeira intervenção no sentido de dotar parte da nação de seguro social, ou seja de Previdência Social (Lei Eloi Chaves 1923).
Vinculada ao setor trabalhista nasceu a saúde no âmbito da previdência, fato que durou 60 anos chegando a formar a cultura da mercantilização. A saúde foi portanto concebida como uma mercadoria. Só depois da promulgação da constituição cidadã em 1988 foi possível pensar um sistema de saúde condizente com as aspirações de um Estado de Bem-Estar Social tanto que em seu art.196 a constituição assegura a saúde a todos os brasileiros assim se expressando: "...saúde é direito de todos e dever do Estado". Finalmente em 1990 surge a lei 8080 que cria o Sistema Único de Saúde - SUS. Uma lei cidadã que foi elaborada para antes de mais nada combater a cultura da mercantilização, talvez por isto até hoje, após mais de 20 anos ainda não foi implementada.
Se esta lei fosse cumprida certamente pouco teríamos a discutir sobre o Sistema Único de Saúde. De vez em quando talvez, uma reuniãozinha fosse necessária para se tratar de pequenos ajustes necessários por força da dinâmica ascendente que toma toda atividade social ao longo do seu curso.
Esta lei é de um alcance social inquestionável principalmente porque contempla a universalidade do atendimento à saúde independente de cor, sexo, religião ou ideologia, idade ou doença e muito menos custos. Preconiza a atenção à saúde desde o mais simples e mais barato procedimento ao mais complexo e mais caro, indo desde a assistência médica às ações de saúde preventiva,prevendo custeio de políticas de bem-estar social, físico e mental do individuo e da coletividade capazes de promover um Estado de Bem-Estar Social verdadeiro.
Em seu bojo a lei prevê a multi-fatorialidade de que depende a saúde quando assinala como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, a alimentação, a moradia, o saneamento básico, o meio ambiente, o trabalho, o lazer e o acesso aos bens e ao serviços essenciais.
Como se teria uma coletividade ou o indivíduo num estado de bem-estar físico, social e mental se assim não fosse?
A lei prevê a assistência às pessoas através de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde integrada às ações de assistência preventiva, contempla as ações de vigilância sanitária com fins de saneamento do meio ambiente. Isto é saúde na sua essência.
Esta lei é tão perfeita que quem se dispõe a lê-la na íntegra nada mais encontra a acrescentar, infelizmente foi elaborada para uma sociedade ainda despreparada do ponto de vista intelectual, técnico e cultural para aplicá-la. Prefiro pensar assim a pensar que sua implantação ainda não ocorreu completamente por conta do desinteresse dos gestores do sistema ou do aporte insuficiente de recursos. Vejo a cada governo que se renova, a nomeação de gestores despreparados que nada conhecem de serviço público, ou sequer de administração privada. Pessoas que nunca leram esta lei e portanto desconhecem por completo sua finalidade. Pessoas que assumem cargos de direção e assessoramento em franco impedimento legal, gestores que mantém contratos de prestação de serviço ao sistema através de suas clínicas privadas, é comum vê-los exercendo cargos de DAS no SUS. Gestores que nunca ouviram falar do perfil epidemiológico de uma população porque nunca estudaram esta parte da medicina, gestores alheios à área médica e sem nenhum preparo em administração, nomeados a partir de interesses político-partidários, que não distinguem o que é saúde preventiva e assistência médica, entendem saúde apenas como tratamento de doenças.
A cada visita que faço as unidades de saúde do sistema, sejam públicas ou privadas contratadas me deparo com o caos, observo como os gestores por desconhecimento da lei a infringem acintosamente. A cada questionamento alegam que não há verba, com esta desculpa os despreparados vão conduzindo um sistema de saúde capenga, detentor de uma lei quase perfeita. No Brasil é comum a produção de leis baseadas em costumes e culturas de outros países, uma vez elaboradas jamais são praticadas porque há o descompasso entre a nossa realidade e a realidade da lei. Neste pequeno lapso de tempo é assim que vejo o sistema. Pena que se o tempo não fosse um lapso muitas razões aqui poderiam ser ditas! Mas quem sabe, num outro momento... Esta opinião é pessoal.
Por José Antonio da Silva.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
DISTANTE
Você está longe, mal vejo teu vulto,
mesmo assim, às vezes, me sinto viúvo
de luto!
Acabrunhado me recolho, me devolvo
aos meus pensamentos.
São tantas as impossibilidades que sequer
te vejo!
Mas quando vejo estás muito distante.
Escorregastes entre meus dedos
e me deixaste com meu medo!
De existir lado a lado sobre os olhares
impiedosos dos circunstantes, por isso
foste ficando cada vez mais distante!
Do beijo, do carinho do afeto e de tudo
que de bom havia nos trejeitos.
De certa forma escolhi um lado o lado
mais perfeito!
O lado do direito pelo que nos vejam!
Tudo foi embora, mas ficou teu jeito
de nunca dizer não ao meu devaneio!
José Antonio da Silva - Cabo Frio - 08/12/2011.
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